Elefante
Ontem assisti ao filme " Elefante". Ainda sobre a polêmica dos alunos atiradores da escola de Columbine nos EUA. É um filme monótono e com tomadas longas e estranhas. Aquele estilo filme cabeça. Acho interessante como os americanos tentam retratar sua própria podridão. Uns optam pelo escancaramento como Michael Moore e seus polêmicos documentários, outros tentam ser mais sutis como Gus Van Sant neste filme. Tão incômodo quanto um elefante na sala de estar, assim deve ser a sensação de impotência americana frente às suas mazelas. Cada um se esconde como pode. Uns compram Air Bus, outros apelam para a filantropia, outros....Ah, deixa para lá.
Quanto valemos?
Ontem eu fiquei sabendo que uma grande amiga foi demitida do seu emprego. A pessoa em questão trabalhou por mais de 20 anos com a maior dedicação e sempre enfrentando todas as crises pelas quais a empresa passou. E não foram poucas. A justificativa para a demissão foi a contenção de gastos. Irão contratar uma outra pessoa com menos experiência e com um salário menor. Fiquei pensando então no quanto realmente valemos para as empresas nas quais trabalhamos. Acho que não valemos muito não. Ou talvez façamos alguma diferença enquanto estamos sendo úteis. Depois de um tempo parece que já nos tornamos dispensáveis ou facilmente substituíveis. Quanto vale nossa dedicação? Quanto vale deixar de lado nosa vida pessoal e colocar a empresa em primeiro lugar? O capitalismo desenfreado e as novas estratégias de gestão não nos dão tempo nem para que possamos refletir sobre tudo isto e tentar encontrar alguma resposta. Na verdade, acho que o que nos angustia é que não podemos ter certeza e segurança em muitas das coisas que sustentam nosso cotidiano. E vamos levando nossa vida com a ilusão de que ficaremos bem um dia.! E olha que hoje eu não estou mal humorada heim!
Só estava descansando
Não, eu não esqueci do meu blog não. Só estava na santa paz do meu sofá, curtindo outras delícias da vida. Assisti " Colateral" com aquele lindo do Tom Cruise. Até mudei minha opinião sobre a maioria dos filmes deste astro. É realmente um filme envolvente, que nos coloca diante da relatividade das coisas e do significado delas para cada um de nós. Nesta trama, tanto bandido, quanto moçinho têm seus conflitos que, colateralmente, vão se alinhando e mudando modos de vida e de pensar. Numa análise mais superficial, poderíamos extrair a fragilidade daquilo que temos como certo e definido para nossas vidas. Entretanto, olhando nas entrelinhas, podemos ir mais fundo, tentando resgatar a idéia do vazio avassalador que atormenta tantas vidas. Pessoas que, rodeadas de outros seres viventes, transitam como que programadas para seus rituais vazios. Talvez a indiferença faça mais mortos que qualquer outro ataque bélico. Poucas horas são suficientes para salvar uma vida, mudar seu curso ou perdê-la de vez. E passamos toda uma existência tentando construir nossas verdades, nossas crenças, nossos mitos e muito pouco tempo nos sobra para vivermos aquilo que realmente nos interessa. A dura realidade literalmente abafa nosos sonhos. Talvez esteja dizendo isto porque minhas doces férias estão chegando ao fim. O que por sí só seria um motivo real do início de um processo depressivo, mas nem tudo precisa ser uma tragédia não é? É como dizia um grande amiga: por pior que seja a barrela que uma enchente deixe, a gente sempre dá um jeito de limpar. Quanta sabedoria meu Deus!!!